O que é a inflação?

A inflação é o aumento generalizado e persistente dos preços dos bens e serviços consumidos pelas famílias.

Numa economia de mercado, os preços dos bens e serviços podem variar em qualquer momento: alguns preços sobem, outros descem. Existe inflação quando os preços dos bens e serviços aumentam de forma generalizada (e não apenas o preço de alguns itens específicos) e esse aumento se mantém ao longo do tempo.

Porque nos devemos preocupar com a inflação?

A inflação permite perceber como é que os preços dos bens e serviços que as famílias compram regularmente, como alimentos ou vestuário, mudam ao longo do tempo. Ao acompanhar estas variações é possível avaliar o dinheiro a mais, ou a menos, que é preciso gastar para comprar os mesmos produtos.

Quando os preços deixam de subir

Numa primeira reação, pode parecer que a ausência de inflação é benéfica, porque os preços ficam iguais. No entanto, quando os preços deixam de subir, é possível haver deflação, uma situação em que a generalidade dos preços caem ao longo do tempo. A deflação pode levar famílias e empresas a adiar despesas e acabar por prejudicar a economia.

Exemplo

Perante a expetativa de que o preço dos automóveis baixe, os consumidores interessados em comprar um automóvel novo podem adiar a compra. A diminuição das vendas traduz-se numa redução da produção por parte das empresas que, por sua vez, podem reduzir investimento e mesmo postos de trabalho. Com menos emprego e rendimento, o consumo irá continuar a diminuir, podendo levar a um crescimento cada vez mais fraco ou até a uma recessão.

Inflação elevada

Por outro lado, uma inflação elevada e instável reduz o poder de compra e aumenta a imprevisibilidade, tornando mais difícil para as famílias e as empresas planearem os seus gastos.

Por isso, uma inflação baixa e estável – isto é, a estabilidade de preços – é a que beneficia a economia e contribui para o bem-estar dos cidadãos.

O papel destes dados

Os dados sobre a inflação ajudam decisores políticos, economistas e empresas a tomar decisões mais informadas. Na área euro, estes dados são também cruciais para o Banco Central Europeu (BCE) que, em conjunto com os bancos centrais nacionais, define a política monetária com o objetivo de manter uma inflação de 2% na área euro no médio prazo. O BCE ajusta as taxas de juro e, se necessário, recorre a outras medidas para assegurar preços estáveis e uma economia saudável.

Preços no consumidor

Os preços no consumidor são os preços que as pessoas pagam pelos bens e serviços que consomem, como bens alimentares, vestuário e calçado ou serviços de transporte ou atividades de lazer.

Esses preços mudam ao longo do tempo e variam consoante o local e as condições de compra. Uma peça de vestuário, por exemplo, pode custar mais ou menos conforme a marca, a loja, a época (como os saldos) ou até a quantidade comprada.

Numa economia de mercado, os preços resultam do equilíbrio entre a oferta, isto é, a quantidade de produtos que está disponível para venda, e a procura, isto é, a quantidade que os consumidores querem e conseguem comprar.

Ao longo da cadeia de produção e distribuição existem vários tipos de preços que influenciam o preço final pago pelos consumidores:

Os preços no produtor

Que refletem os custos de fabrico.

Os preços de revenda

Que determinam quanto os retalhistas pagam pelos bens.

Os preços de importação

Que determinam o custo dos bens comprados ao estrangeiro.

Os preços de exportação

Que podem influenciar os preços no mercado interno.

 

Em conjunto, estes fatores contribuem para o preço final pago pelos consumidores.

Índice (harmonizado) de preços no consumidor

Os índices de preços no consumidor são o indicador mais usado por economistas e bancos centrais para acompanhar a evolução do nível geral de preços de uma economia.

O Índice de Preços no Consumidor (IPC) é calculado pelos institutos nacionais de estatística com base num cabaz representativo dos bens e serviços habitualmente consumidos pelas famílias residentes em cada país.

Na União Europeia (UE), foi criado o Índice Harmonizado de Preços no Consumidor (IHPC) com base num cabaz de compras idêntico para todos os países e numa mesma metodologia de cálculo, possibilitando a comparação entre países. A composição do IHPC foi concebida de forma a que o cabaz de compras geral seja representativo em todos os países. O IHPC é o índice utilizado pelo BCE para avaliar a estabilidade de preços na área euro.

O IPC e o IHPC também diferem na cobertura. O IPC inclui apenas as despesas realizadas pelas famílias residentes no país, enquanto o IHPC inclui também a despesa realizada por não residentes (como turistas). Desta forma, a principal diferença prende-se com o peso das várias componentes no índice. Por exemplo, a classe “11. Restaurantes e serviços de alojamento” (particularmente afetada pelas despesas dos turistas) apresenta um peso no IPC inferior ao do IHPC.

Para descrever os diferentes tipos de produtos utilizados no cálculo do IHPC, utiliza-se, desde janeiro de 2026, a versão 2 da Classificação Europeia do Consumo Individual por Objetivo (ECOICOP 2). Esta classificação é utilizada por todos os países da União Europeia, tanto para o cálculo do IHPC de cada país como dos agregados da área euro e da União Europeia. Em Portugal a ECOICOP 2 também é utilizada no cálculo do IPC.

Trata-se de uma lista abrangente que inclui todos os tipos de bens e serviços, divididos em 13 classes.

1

Produtos alimentares e bebidas não alcoólicas

2

Bebidas alcoólicas, tabaco e narcóticos

3

Vestuário e calçado

4

Habitação, água, eletricidade, gás e outros combustíveis

5

Acessórios para o lar, equipamento doméstico e manutenção corrente da habitação

6

Saúde

7

Transportes

8

Informação e comunicação

9

Lazer, recreação, desporto e cultura

10

Serviços de educação

11

Restaurantes e serviços de alojamento

12

Serviços financeiros e de seguros

13

Serviços de higiene e cuidados pessoais, proteção social e bens e serviços diversos

Os itens do IPC e do IHPC são também combinados em agregados especiais, úteis para análise. Estes agregados permitem acompanhar a evolução dos preços no consumidor por tipos de produtos, como os bens e os serviços, e identificar tipos de produtos cujos preços tendem a ser mais voláteis, como os bens industriais energéticos.

  • Total
  • Bens
    Bens alimentares
    Alimentares não transformados
    Alimentares transformados
    Bens industriais
    Produtos industriais não energéticos
    Produtos industriais energéticos
  • Serviços
  • Agregados excluindo componentes
    Total excluindo alimentares não transformados e energéticos
    Total excluindo habitação
    Total excluindo energéticos
    Total excluindo produtos alimentares não transformados

Como se mede a inflação?

Ao calcular a taxa de variação do IHPC ou do IPC entre dois períodos, obtemos a taxa de inflação. Isto indica, em percentagem, quanto mudaram os preços de um período para o outro. Como a comparação pode ser feita entre diferentes períodos, é possível analisar vários tipos de taxas de inflação:

Taxa de inflação homóloga

A taxa de inflação homóloga é a variação do IHPC/IPC entre o mês atual e o mesmo mês do ano anterior. Esta é a taxa mais usada pelos economistas e pelos bancos centrais para analisar a evolução da inflação mês a mês;

\[ Tvh_t = \left(\frac{IHPC_t}{IHPC_{t-12}} - 1\right) \times 100 \]

onde t corresponde ao mês de referência

Taxa de inflação em cadeia

A taxa de inflação medida pela variação do IHPC/IPC relativamente ao mês anterior (variação em cadeia) tem utilidade limitada pois os índices não são geralmente corrigidos de sazonalidade. Por exemplo, a variação dos preços entre dois meses consecutivos poderá ser distorcida por fenómenos que ocorrem tipicamente em alguns meses do ano e não noutros (como os saldos);

\[ Tvc_t = \left(\frac{IHPC_t}{IHPC_{t-1}} - 1\right) \times 100 \]

onde t corresponde ao mês de referência

Taxa de inflação média

A taxa de inflação média é a variação do IHPC/IPC na média dos últimos 12 meses relativamente à média dos 12 meses imediatamente anteriores. A inflação média é mais alisada e pode ser útil para analisar a tendência de evolução dos preços.

\[ Tvm_t = \left( \frac{ \sum_{i=0}^{11} \frac{IHPC_{t-i}}{12} }{ \sum_{i=12}^{23} \frac{IHPC_{t-i}}{12} } - 1 \right)\times 100 \]

onde t corresponde ao mês de referência

Existem também medidas complementares de inflação que ajudam a distinguir variações temporárias de movimentos mais persistentes no nível geral de preços. Dado que os preços de alguns dos bens que compõem os índices de preços são mais voláteis (por exemplo, certos produtos alimentares ou energéticos), há medidas que os excluem para reduzir esse efeito (por exemplo, a inflação subjacente). De modo a excluir variações muito extremadas nos preços de alguns bens ou serviços, calculam-se ainda medidas que eliminam as maiores subidas e descidas, como a média aparada da inflação.

Onde posso consultar informação sobre a inflação?

No BPstat encontra, no domínio Preços, informação sobre o índice de preços no consumidor e sobre o índice harmonizado de preços no consumidor para Portugal e para a área euro. Esta informação é atualizada mensalmente e está disponível para o cabaz de total de consumo e para as várias categorias de bens e serviços.