Qual o impacto do turismo na balança de pagamentos portuguesa?

O turismo de não residentes em Portugal tem desempenhado um papel relevante na economia portuguesa, marcado por vários momentos decisivos desde a década de 1960.

Nos anos 60, as receitas da rubrica de viagens e turismo na balança de pagamentos portuguesa, doravante designadas por exportações de turismo (considerando apenas a atividade do setor do turismo gerada por turistas não residentes), cresceram de forma expressiva, num contexto de desenvolvimento económico e maior estabilidade internacional. O progresso nos transportes, a melhoria das infraestruturas turísticas e o aumento do nível de vida contribuíram para esse crescimento. As exportações de turismo atingiram 6% do PIB nesse período.

Em 1974, a instabilidade política provocou um recuo significativo da atividade turística. No entanto, durante a década seguinte, o setor recuperou para níveis próximos dos registados nos anos 1960, impulsionado pela massificação do turismo balnear.

Nas décadas de 1990 e 2000, as exportações de turismo diminuíram, refletindo a crescente concorrência de destinos alternativos mais competitivos. Ao longo desses anos, as exportações de turismo estabilizaram nos 4% do PIB.

A partir de 2010, estas receitas retomaram uma tendência de crescimento acentuado, apenas interrompida pela pandemia de COVID-19. Em 2010, representavam 4,2% do PIB; já em 2024, ascendiam a 9,6%.

As despesas de turistas portugueses no estrangeiro têm-se mantido historicamente mais baixas. Situaram-se perto de 2% do PIB nas décadas de 1960 e 1990 e ultrapassaram esse valor apenas nos anos mais recentes, atingindo 2,4% em 2024.

Assim, a evolução do saldo do turismo na balança de pagamentos portuguesa tem resultado sobretudo do forte desempenho das receitas geradas pelo setor em Portugal, que cresceram de forma mais acentuada do que as despesas dos turistas portugueses no exterior.

 

 

No período mais recente, o saldo da rubrica de viagens e turismo conduziu a um saldo positivo da balança comercial portuguesa (diferença entre exportações e importações de bens e serviços). Em 2012, a balança comercial registou o seu primeiro valor positivo desde o início da série estatística, trajetória que se manteve até ser temporariamente interrompida pela pandemia de COVID-19.

 

 

O saldo positivo da balança comercial tem sido determinante para o retorno a saldos positivos nas balanças corrente e de capital, algo que não se verificava desde 1993. Estes saldos indicam que Portugal tem registado capacidade líquida de financiar o exterior. Historicamente, os saldos positivos destas balanças refletem o desempenho da rubrica de viagens e turismo, testemunhando o papel relevante deste setor na economia portuguesa.

 

 

Como comparamos com os países da União Europeia?

Em 2024, as exportações de turismo totalizaram 28 mil milhões de euros, colocando Portugal no quinto lugar entre os países da União Europeia (UE) com maiores receitas externas deste setor. No topo da lista, destacava-se a Espanha, com 98 mil milhões de euros, seguida por França, Itália e Alemanha.

 

 

Quando relacionamos estas receitas com o PIB, Portugal sobe para quarto lugar entre os países da UE em que o turismo internacional tem maior peso na economia. À frente de Portugal surgem apenas Croácia, Malta e Chipre.

 

 

Portugal foi também o país da UE que, entre 2010 e 2024, registou o maior aumento das exportações de turismo em percentagem do PIB: 5 pontos percentuais.

 

 

Quais são os maiores mercados das exportações de viagens e turismo?

 

Reino Unido, França, Alemanha e Espanha são, tradicionalmente, os principais mercados de origem das receitas do turismo internacional português. Os Estados Unidos da América entraram para este grupo em 2016 e, em 2024, ultrapassaram a Espanha, passando a ocupar o quarto lugar. Neste período, o peso dos turistas norte-americanos nas exportações de turismo aumentou de menos de 4% para mais de 10%.

Verificou-se também um crescimento das receitas provenientes do conjunto de mercados menos relevantes, que passaram de 29% para 33%, reforçando a tendência de maior diversificação na origem das receitas do turismo internacional.

 

O verão continua a ser o período com maiores exportações de turismo?

Sim, mas com menor peso relativo. Embora, entre 2014 e 2024, as exportações de turismo tenham crescido em todos os meses do ano, verificou-se uma redução na importância relativa dos meses de verão (junho, julho, agosto e setembro). Em 2014, estes quatro meses representavam 49% do total do ano, enquanto, em 2024, correspondiam a 47%. A maior queda ocorreu em agosto, cujo peso desceu de 18% para 15% do total.

 

Excluindo os anos marcados pela pandemia, período em que as restrições impostas à movimentação de pessoas e distanciamento social alteraram a sazonalidade do turismo internacional em Portugal, verificou-se uma ligeira redução da expressividade dos meses de verão. Ainda assim, este continua a ser o período que mais contribui para as exportações do setor do turismo em Portugal.

 

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