Os depósitos têm um papel central na economia portuguesa. São a principal aplicação financeira das famílias e a principal fonte de financiamento dos bancos.

Em agosto de 2026, Portugal registava uma das taxas mais reduzidas nas novas operações de depósitos a prazo e remunerações abaixo da média da área do euro em todas as modalidades de depósitos.

Apesar disso, a remuneração média dos depósitos dos particulares em Portugal aproxima-se da mediana da área do euro. Em Portugal, mais de metade dos depósitos dos particulares são depósitos a prazo, a proporção mais elevada da área do euro. Como estes depósitos oferecem, em geral, remunerações mais elevadas do que as restantes modalidades, contribuem para aumentar a remuneração média. A análise mostra ainda que a subida das taxas de juro iniciada em 2022 foi transmitida mais rapidamente aos empréstimos do que aos depósitos. Como resultado, aumentou o diferencial entre as taxas de juro dos empréstimos e dos depósitos em Portugal.

Embora a remuneração dos depósitos tenha subido, a inflação manteve-se acima das taxas pagas aos depositantes durante grande parte do período, reduzindo o poder de compra dos montantes aplicados em depósitos.

Portugal está entre os países da área do euro com as taxas mais baixas nos novos depósitos a prazo

Os particulares em Portugal recebem, nos novos depósitos a prazo, uma remuneração inferior à observada na maioria dos países da área do euro. Em agosto de 2026, a taxa de juro média dos novos depósitos a prazo foi de 1,63% em Portugal, uma das remunerações mais baixas da área do euro. Apenas Bulgária, Chipre, Grécia, Eslovénia e Croácia registaram taxas inferiores. A média da área do euro situou-se em 2,18%, 0,55 pontos percentuais acima da observada em Portugal.

Fonte: Banco de Portugal e Banco Central Europeu

Esta comparação incide apenas sobre os novos depósitos a prazo constituídos ou renegociados no mês, que representam apenas uma parte do total dos depósitos dos particulares. Por isso, para avaliar a remuneração efetiva deste tipo de poupança, é importante considerar todas as modalidades de depósito e a forma como estas se distribuem no conjunto dos depósitos das famílias.

Portugal apresenta taxas de juro inferiores à média da área do euro em todas as modalidades de depósitos

Existem três tipos de depósitos, de acordo com a possibilidade de movimentação:

  • Depósitos a prazo: só podem ser movimentados no final do prazo acordado, ou antecipadamente com penalização de juros;
  • Depósitos com pré-aviso: podem ser movimentados com um período mínimo de pré-aviso, ou a qualquer momento, mas com penalização de juros;
  • Depósitos à ordem: podem ser movimentados a qualquer momento.

Para cada uma destas modalidades, a taxa de juro média aplicada ao stock Para os depósitos a prazo é possível obter a taxa de juro aplicada às novas operações (i.e., depósitos negociados no mês) e a taxa de juro aplicada aos stocks (i.e., taxa efetivamente paga pelo montante total depositado). Para os depósitos à ordem e com pré-aviso apenas é possível apurar a taxa de juro aplicada aos stocks. Este tipo de depósitos caracteriza-se por um grande número de recebimentos e pagamentos durante o mês, relacionados com a atividade dos seus titulares e não com decisões de investimento. Como estas transações mensais não são alvo de negociação específica entre o cliente e o banco, o apuramento de montantes e taxas de juro de novas operações não é aplicável. de depósitos em Portugal é inferior à média da área do euro.

Em agosto de 2026, os depósitos a prazo apresentavam uma taxa de juro média de 1,11% em Portugal e de 1,93% na área do euro. Nos depósitos com pré-aviso, a diferença era mais expressiva: 0,24% em Portugal e 1,28% na área do euro. Também nos depósitos à ordem, a remuneração permanecia mais baixa em Portugal: 0,04%, abaixo dos 0,29% da área do euro.

Fonte: Banco de Portugal e Banco Central Europeu

Os dados mostram que, em média, os depositantes em Portugal recebem juros mais baixos do que na área do euro em todas as modalidades. Ainda assim, a remuneração global não depende apenas da taxa de juro de cada modalidade, mas também da forma como as poupanças estão distribuídas entre depósitos a prazo, depósitos com pré-aviso e depósitos à ordem.

Portugal é o país da área do euro com maior peso de depósitos a prazo

Em agosto de 2026, os depósitos dos particulares representavam 41% do passivo dos bancos em Portugal, quase o dobro da média da área do euro (22%). Este valor colocava Portugal na sexta posição entre os países da área do euro onde os depósitos dos particulares mais pesavam no financiamento da banca.

Fonte: Banco de Portugal e Banco Central Europeu

A composição dos depósitos dos particulares varia significativamente entre os países da área do euro. Portugal destaca-se pelo peso dos depósitos a prazo, que, em agosto de 2026, representavam 55% do total dos depósitos dos particulares em Portugal, a proporção mais elevada da área do euro. Em média, estes depósitos correspondiam a apenas 19% do total na área do euro.

Já os depósitos à ordem representavam 43% dos depósitos dos particulares em Portugal, abaixo da média de 56% observada na área do euro.

Fonte: Banco de Portugal e Banco Central Europeu

A elevada utilização de depósitos a prazo melhora a posição relativa de Portugal

Quando se considera o conjunto dos depósitos dos particulares, a posição de Portugal é mais favorável do que a observada nas novas operações de depósitos a prazo. Em agosto de 2026, a taxa de juro média do stock de depósitos dos particulares situava-se em 0,63% em Portugal, um valor muito próximo da mediana da área do euro (0,65%) mas inferior à taxa de juro média da área euro (0,85%).

Fonte: Banco de Portugal e Banco Central Europeu

Esta diferença explica-se pelo efeito de composição dos depósitos dos particulares. Embora os bancos portugueses pratiquem taxas de juro inferiores à média da área do euro nas várias modalidades de depósitos, os depósitos a prazo, que tendem a oferecer remunerações mais elevadas, têm um peso particularmente elevado em Portugal.

Como resultado, a forte utilização de depósitos a prazo contribui para elevar a remuneração média desta forma de poupança. Por isso, a posição relativa de Portugal melhora quando se considera a remuneração efetivamente recebida pelos depositantes, e não apenas as taxas oferecidas nos novos depósitos a prazo.

A subida das taxas de juro refletiu-se mais rapidamente nos empréstimos do que nos depósitos

A evolução das taxas de juro dos depósitos e dos empréstimos acompanhou as alterações da política monetária da área do euro e das condições de financiamento dos bancos.

Após a crise financeira internacional e a crise das dívidas soberanas, os depósitos dos particulares ganharam importância como fonte de financiamento da banca portuguesa. Neste contexto, entre 2011 e 2016, a taxa de juro dos depósitos em Portugal manteve-se acima da média da área do euro.

A partir de 2015, a política monetária expansionista do Banco Central Europeu levou as taxas diretoras para níveis historicamente baixos, provocando uma forte redução das taxas de juro dos depósitos e dos empréstimos. Em Portugal, a taxa de juro dos depósitos dos particulares atingiu um mínimo de 0,04% em dezembro de 2021.

O aumento das taxas de juro iniciado em 2022 refletiu-se mais rapidamente nos empréstimos do que nos depósitos. Em Portugal, este ajustamento foi particularmente célere devido ao elevado peso dos contratos de crédito à habitação com taxa variável indexada às Euribor.

Como consequência, as taxas de juro dos empréstimos aumentaram mais do que as dos depósitos, levando ao aumento do diferencial entre ambas para níveis superiores aos observados na área do euro.

Embora esse diferencial tenha diminuído ao longo de 2025 e nos primeiros meses de 2026, continuava acima da média da área do euro em agosto de 2026.

Fonte: Banco de Portugal e Banco Central Europeu

Os depósitos protegeram o poder de compra das famílias?

Se a remuneração de um depósito for inferior à subida dos preços, ou seja, à taxa de inflação, o depositante perde poder de compra. Isto acontece mesmo quando o depósito rende juros, porque a subida dos preços pode ser superior aos juros recebidos.

Desde 2021, as taxas de juro dos depósitos permaneceram, em geral, abaixo da inflação. Isto significa que, nos últimos cinco anos, a taxa de juro média não acompanhou o aumento dos preços, traduzindo-se numa perda de poder de compra para os particulares.

Fonte: Banco de Portugal

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